Bem amigos, segue um reflexão minha sobre a visão "desfocada", de algumas pessoas, ou até mesmo profissionais da comunicação, sobre o que é Jornalismo Cultural.Boa leitura!
Atualmente o jornalismo cultural é visto, até mesmo dentro das redações, como um trabalho de fácil realização, por teoricamente conferir um peso maior à interpretação e a opinião. Mas isso não quer dizer que as reportagens e as notícias de última hora não tenham relevância para essa área do jornalismo.
O caderno de cultura dos jornais continua atraindo os leitores, e para isso é necessário que o jornalista dessa editoria, além de um vasto conhecimento, qualidade inerente ao trabalho jornalístico, seja também criativo e, principalmente, saiba transitar com equilíbrio entre campos como o popular e o erudito, o nacional e o internacional, e a crítica reflexiva ou até mesmo vazia de conteúdo.
As várias faces do jornalismo exigem textos coerentes e consistentes para a execução de bom trabalho.
Mas com o jornalismo cultural um texto bem trabalhado contextualizado atrai ainda mais o leitor para essa sessão e faz com que ele sinta-se à vontade até para entrar no debate e até mesmo devolver a crítica feita naquela reportagem, tanto no dia-a-dia como escrevendo em resposta para o próprio jornalista
Também não podemos esquecer que o jornalismo cultural sofreu, assim como a própria sociedade, transformações, desde seus primórdios. Mesmo assim, críticos culturais conceituados persistem lutando contra os dogmas estabelecidos e a mediocridade dominante.
Desde o surgimento dos meios de comunicação de massa debate-se qual é o verdadeiro papel do jornalismo em face de sua crise de identidade freqüente, e o jornalismo cultural está inserido neste contexto.
Mas a tensão gerada por este debate é saudável desde que seja para promover a discussão sobre a qualidade de produção jornalística.
[...] Como a função jornalística é selecionar aquilo que reporta (editar, hierarquizar, comentar, analisar), influir sobre os critérios de escolha dos leitores, fornecer elementos e argumentos para sua opinião, a imprensa cultural tem o dever do senso crítico, da avaliação de cada obra cultural e das tendências que o mercado valoriza por seus interesses, e o dever de olhar para as induções simbólicas e morais que o cidadão recebe. (PIZA, 2004:45)
Assim o papel do jornalismo cultural não é apenas anunciar e comentar obras e lançamentos, assim como seus autores, nos diversos setores das artes. Mas também refletir e, com isso levar ao público a reflexão de vários aspectos que cercam o comportamento e hábitos sociais, fazendo contato com a realidade político-econômica da qual a cultura é parte integrante.
Cultura é a forma de expandir horizontes, contribuir de alguma maneira para discernir melhor o que há ao nosso redor, e é com essa vertente reflexiva que a cultura deve estar presente no jornalismo cultural.
Para Daniel Piza (PIZA, 2004, p. 62), “ser culto é pertencer a todos os tempos e lugares, sem deixar de pertencer a seu tempo e lugar”.
Mas, entretanto o senso comum associa cultura a algo inatingível, sério demais, complicado para se entender ou até mesmo exclusivo àqueles que acumulam um grande número de informações. Quer dizer que para muitos a cultura é elitista, o que infelizmente acaba gerando um bloqueio no acesso a ela. É preciso entender, portanto, que cada publicação da imprensa deve se concentrar em falar com seu público-alvo de maneira abrangente, sem abrir mão de tentar contribuir com sua formação.
Outro ponto que é necessário levar em conta é que os leitores são diariamente bombardeados por um número elevado de informações e possuem gostos e necessidades diferenciadas. Por isso, mesmo que o critério de seleção dessas publicações na maioria das vezes seja popular, buscando grandes vendagens, é possível fazer um jornalismo que relacione os temas aparentemente irrelevantes às questões mais aprofundadas, sem que os textos se tornem incompreensíveis. Ressaltando que o jornalista da área de cultura, seja ele de um veículo de linha popular ou elitista, precisa ter conhecimento sólido e domínio do tema que escreve assim como o jornalista d qualquer outro editoria.
[...] O cinema hollywoodiano, para ficar num setor que é a própria metáfora da tal indústria cultural, vive se alimentando de grandes livros ou biografias de grandes criadores, para não falar de compositores importantes que elaboram suas trilhas sonoras. Um crítico de cinema vai estar em maus bocados, portanto, quando estiver diante de um filme sobre um gênio da matemática como John Nash (Uma mente brilhante) e não fizer a menor idéia de quem ele foi e o que significou para o conhecimento moderno. (PIZA, 2004, p. 50)
Desta forma, notamos que a experiência e o capital cultural do jornalista são primordiais para que exista uma filtragem no conteúdo dos cadernos e seções de cultura, e se faz necessária devido à existência de uma imensa variedade de grupos sociais o que dificulta a comunicação entre os mesmos, já que se encontram separados por diversos fatores, como a diversidade de culturas, diferentes origens étnicas, estratos sociais desiguais e a própria localização geográfica .
Cabe ao jornalista usar toda sua “bagagem” de conhecimentos sobre o assunto para realizar, ou se tornar um agente de uma comunicação coletiva, acessível a todas as variantes sociais.
Bibliografia
MATTELART, Armand & MATTELART, Michèle. História das teorias da
comunicação. 6.ed. São Paulo: Edições Loyola, 2003.
PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2004.

1 comentários:
Pois é Ricardo, concordo com a sua abordagem. Acho que muitos jornalistas acabam se restringindo ao "é bom" e "é ruim", de acordo com uma opinião que é só deles. Poucos se preocupam em contextualizar e oferecer as informações para que, aí sim, o LEITOR tenha elementos para formar sua opinião. Tudo bem dizer o que é bom ou ruim em uma página pessoal, agora transmitir isso a um jornal é uma questão mais complicada. Só acredito que seja um pouco difícil mudar essa cultura nas redações. Enfim, o conhecimento está aqui, quem quiser que se aprimore! Abraços, parabéns pelo blog, vou acompanhar.
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