quarta-feira, 29 de abril de 2009

Divagando

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Globalização: Dilemas e incertezas

 

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Um mundo sem fronteiras, é isso que o homem alcançou através de grandes conquistas e avanços científicos e tecnológicos.

Esses avanços possibilitaram a tão desejada, mas, porém, conturbada Globalização.

Desejada, pois possibilitaria a cooperação recíproca entre nações e povos de todo o globo, ou seja, cada um teria sua página na Internet, teria acesso à informação, poderia ligar-se simultaneamente com vários países, interagir com pessoas do mundo inteiro, comprar um produto na internet. Tudo isso seria sinônimo de ser moderno, avançado e, na verdadeira acepção da palavra ser global.

Mas cabe também aqui um questionamento:

Todos têm acesso a esse processo?

E é exatamente essa questão que conturba o processo de Globalização, pois ao mesmo tempo em que difunde, restringe o acesso às novas tecnologias á aqueles que dominam a ponta do iceberg capitalista, provocando a uniformização de numerosos aspectos da economia, da cultura e das comunicações, mudando a definição do que consideramos como local, regional e global.

Podemos constatar então que a globalização não é um produto sem erros de fabricação.

Como vimos acima, ela aproxima as pessoas, possibilita as troca de conhecimento e informação, através do avanços tecnológicos, eliminando as barreiras impostas pelas distancias territoriais.

Mas em contrapartida notamos as lacunas que separam em distâncias longas, os ricos dos pobres, bem como as nações desenvolvidas das mais atrasadas, o que acaba determinando quem serão os agentes globalizadores e quem serão aquelas que, sem escolhas, serão explorados, ou seja, os Desglobalizados.

Outro ponto problemático da globalização é o desemprego estrutural que é crescente, mesmo com o desempenho favorável de algumas economias.

O uso da tecnologia, a utilização da mão de obra barata proporcionada pela desteritorialização , que possibilitou as grandes conglomerados industriais atuar em vários países, faz com que postos de trabalho sejam eliminados e muitos indivíduos sejam jogados ao terror da falta de emprego, gerando um movimento migratório, que nos últimos anos vem crescendo e assustando países como Espanha e Estados Unidos, que tentam de forma drástica coibir essa ação desesperada, daqueles que poderíamos classificá-los como “os esquecidos da globalização”.

Essa dicotomia entre os pontos positivos e negativos da globalização e das inovações trazidas por ela, deve passar por uma investigação crítica da sociedade.

“Quando se aceita a existência de uma estrutura complexa de interação entre o ambiente econômico e as direções das mudanças tecnológicas, deixa-se de compreender o processo de inovação como um processo que evolui da ciência para o mercado.Os diferentes aspectos da inovação a tornam um processo complexo, interativo e não–linear.” (Cristina Lemos, Informação e Globalização na Era do Conhecimento, Rio de janeiro, p.125.)

Diante do que foi exposto, podemos dizer que a globalização é um processo que exige uma predisposição para o novo, e não são todos que estão preparados para uma troca intermitente no que diz respeito ao agir político, cultural e econômico, já que as vias de acesso aos avanços tecnológico estão concentradas nas mãos daqueles que detém o capital .

Mas também percebemos que a globalização não é algo acabado que devemos assimilar sem questionar, pelo contrário, é um processo que exige análise crítica e compromissada de todos aqueles que com ela convivem para chegarmos, ou pelo menos nos aproximara da tão desejada “Aldeia Global”, onde todos poderão interagir e se beneficiar do mundo sem fronteiras

Utopia ou não, cabe a nós através desse questionamento, dessa busca, a possibilidade de construir, um mundo sem imposições de poder, nem ingerências a serviço da desigualdade e da dependência.

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