É raro encontrar alguém que não goste de uma “boa” música. Quero dizer música mesmo, que expressa sentimentos, reflexões e nos leva a pensar. Composições que nascem de mentes brilhantes, como Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Edu Lobo, João Bosco, Gonzaguinha, Renato Russo e tanto outros.
Agora chamar de música aquilo que mais se assemelha a um conto erótico disfarçado com algumas notas “quase” musicais é simplesmente abominável.
A origem da palavra ‘música’ vem do grego mousikê, que significa “arte das musas”. Música pode ser definida como “arte e ciência de combinar harmoniasamente os sons”. Vale ressaltar, harmoniosamente, quer dize não agredir o ouvido e nem o intelecto humano.
Não é possível definir exatamente quando a música surgiu. Ao longo da história inúmeros gêneros e estilos musicais foram produzidos.
Desde a época medieval, passando pela renascentista, barroca, clássica e romântica, nomes como Bach, Vivaldi, Mozart, Beethoven, Chopin, Wagner e Villa-Lobos, Carlos Gomes são personagens desse mundo da musicalidade.
Na fase moderna, Jazz, Samba, Chorinho, Blues, Bossa Nova, Rock, Pop, Tropicália, Soul Music, e MPB foram movimentos que marcaram época e tornaram inesquecíveis nomes como Louis Armstrong, Cartola, João Gilberto, Beatles, Madonna, Caetano Veloso, Tom Jobim, Caetano Veloso, Elis Regina e muitos outros.
Também vale lembrar que o mundo na verdade é uma verdadeira sinfonia.Não há como pensar em um mundo sem música. Pois, a própria natureza através do barulho da cachoeira, pássaros, ventos e outros elementos faz o papel de compositor e, assim, o homem de alguma forma seria estimulado a assoviar, compor, cantar…
A música na verdade pode ser interpretada de várias maneiras, cada um pode dar a sua leitura, é isso que a torna tão atraente.
Meu amigo, Pastor Cláudio Rodrigues, meu enviou um texto que expressa toda a singeleza concreta e ao mesmo abstrata da música.
Boa leitura!!!
A música
Som suave saindo de sorrate
Silvando sem cessar
Soletrando sinfonias expressivas
Sincinesia sorvendo sonhos sensatos e intensos
Substanciando delicioso sabor
A música é universal; como viver sem cantar, cantarolar, assobiar, batucar? Não deve haver alguém que seja imune à ressonância produzida por laringes e instrumentos mil, alguém que não se impressione com acordes, harmonias, arranjos, nuances, dinâmicas.
Como resistir ao nascimento e morte de uma melodia, fugaz em sua exibição, eterna no impacto que causa? Aliás, como aceitar sua morte? Não querer que ela permaneça ali, para sempre, acalentando os sorrisos ou lágrimas de que fala tão eloquente?
A quantidade de sentimentos despertados pela singeleza, abstrata e concreta a um tempo, de um amontoado de sons que conversam, concordando em suas assertivas matizadas de alturas que se completam, não se conta com os dedos – muitos seriam poucos –, mas em milimiligramas que coloca sobre os ombros de quem o ouve – a leveza quase palpável é a testemunha do toque suave que lenifica a crispação do cenho a que se acostumou o homem.
Sendo tão sublime não se afigura ocupação hercúlea concluir que a origem da música é o céu, a presença do Deus Criador. Diante de Sua majestade santa o louvor se torna imperioso, inevitável, voluntário e prazeroso.
A grandeza de Deus se percebe claramente pelo conjunto da criação. No entanto, é no rol de características de que dotou o homem que ela se mostra mais explícita. Entre tantas pontifica o gosto pelo belo, a atração que a harmonia das coisas exerce. De que forma não incluir a música em lugar de destaque na tradução de tão marcante traço?
Como tudo, houve uma degradação no sentido original de que se revestiu a música. A sempre-beleza deixou de ser soberana para dar lugar a disparates, ruídos travestidos de melodias, cuja defesa se torna obra de difícil consecução. Entretanto, o âmago ainda clama por frases breves – ou semibreves –, que tenham doçura mínima – ou semínima, que seja – e enlevem o coração, transportando-o aos píncaros da sensibilidade onde a guerra experimenta o desprezo que lhe tem faltado nestes dias de barulhos surdos que não perfazem uma cântico.
Música combina com adoração a Deus, com amor por Ele e por quem foi criado por Suas mãos. Afasta-se, escandalizada, de desonras, acintes e afrontas. Assemelha-se a lenitivo para a dor e discorda dos aguilhões engatilhados e apontados para ferir.
A música é boa; faz par com a vida, sendo-lhe fiel, abraçando-a quando se sente só, fazendo-lhe companhia andando e parando, no descanso e no cansaço.
Quando por aqui chegamos ela entoou vivas. Quando partirmos ela chorará nossa ida por um instante e, feliz, nos recepcionará no lar eterno.

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